FI-LO PORQUE QUI-LO



FI-LO PORQUE QUI-LO

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Escrito por Mauro Maturana às 15:06
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A HISTÓRIA DO PIPI-POESIA


No post anterior, eu mencionei a expressão "pipi-poesia" me referindo à necessidade incontrolável de dar vazão a um surto de criatividade expontâneo e repentino. Esta expressão eu encontrei num livro que li em 1991 e que me identifiquei muito, de um autor excelente: Roberto Freire. Mas não o deputado comunista, e sim o psicanalista anarquista.
O texto é grande, mas absolutamente envolvente:


Há muitos anos, quando era médico dos operários de uma fábrica que ficava perto de Santo André, eu fazia o percurso de São Paulo até lá por meio de trem suburbano, que apanhava na Estação da Luz. Cada uma dessas viagens (ida e volta) era um mergulho enriquecedor e aprofundador naquilo que já chamei de saldos de povo que existem em mim, apesar de tudo. Quando ia para a fábrica, pegava o trem das seis e trinta da manhã. Meus companheiros de viagem eram quase que exclusivamente operários e comerciários.
Certa manhã, sentei-me diante de uma mulher de uns quarenta anos, operária, e de um garoto de dezoito anos, seu filho, comerciário. Suas profissões vim a saber ao fim da viagem, quando trocamos algumas palavras. O que pretendo contar é o diálogo havido entre os dois, mãe e filho, à minha frente, falando alto e com a intensidade do amor em crise.
O rapaz queria saber a opinião da mãe sobre o caderno de poemas que tinha escrito e que lhe dera para ler na véspera.
- Bonitos. Muitos não entendi. Mas me deu medo ....
- Medo? Por que medo, mãe?
- Você gosta mais de escrever poesias do que trabalhar no escritório, não gosta?
- Gosto muito mais. Quer dizer, não gosto de trabalhar no escritório e adoro escrever poesias... Vou ser sincero: às vezes, lá no escritório, fico escrevendo uns versos... .
- Você vai acabar perdendo o emprego, filho. Está vendo por que eu disse que tinha medo?
- Mas é uma coisa assim que vem de dentro de mim; não dá pra controlar: ou faz ou arrebenta. Sabe, assim como vontade de fazer pipi... Mas é do jeito da vó, lembra, quando ela tinha aquela doença de velhice. e fazia pipi na cama, na sala, na rua, onde esti¬vesse ...
- Me explica uma coisa: se você trabalha de dia, estuda de noite, joga bola sábado de tarde e domingo de manhã, namora domingo de tarde e de noite, a vontade de fazer esse tal de pipi-poesia interrompe o que você estiver fazendo, onde estiver, mesmo, como sua vó?
- Não. Só faço pipi igual à vó quando tou no escritório e nas aulas.
- Eu desconfiava. Você vai acabar perdendo o emprego...
- Arranjo outro...
- Se o negócio do pipi continua, você perde esse emprego também, e o outro, e o outro ...
- É, a senhora tem razão, pode acontecer, é ...
- E acaba reprovado na escola. Acaba também não sendo ninguém, feito nós ...
- Mas serei um poeta!
- Poeta?
- É, poeta! Tem muito poeta no mundo.
- Tem, tem, eu sei. Mas tudo morrendo de fome. desempregado ...
- Nem todos, mãe ...
- Pega um jornal de domingo, filho, pega a parte de anúncios classificados, espia direito, e vê se tem algum anúncio oferecendo empre¬go pra poeta!
- Não tem, não preciso ver, eu sei que não tem.
- E então?
O rapaz virou o rosto para o vidro, parecendo estar olhando a paisagem feia, amarga e triste do subúrbio paulistano, mas talvez não tão feia, tão amarga e triste quanto deviam ser os seus pensamentos e sentimentos naquele momento, supunha eu, tirando por mim. A mãe, com jeito sofrido, angustiado, como que cumprindo um dever de respon¬sabilidade, insistiu, agora em tom baixo e cuidadoso, pois devia conhecer a sensibilidade do filho:
- E então, meu filho?
Sem se voltar - e eu o imagino vendo a feia paisagem suburbana passando veloz diante de seus olhos e se deformando e diluindo nas lágrimas que continha, envergonhado, além de tudo -, respondeu mais para dentro do que para fora:
- Você tem razão, mãe. Vou parar com a poesia. Não estou velho e doente como a vó, vou dar um jeito de não ficar mais mijando minhas poesias nas calças... por aí...
- É, filho, tenho pena, as coisas não tinham de ser assim, mas são. A gente não pode fazer o que gosta, ainda mais quando o que gosta é poesia...
E sorriu. Abraçou o filho. Beijou-o na testa. Ele virou o rosto para mim. Então vi que o menino tinha os olhos enxutos e deles escapavam chispas de ódio.

Texto publicado no livro Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu!



Escrito por Mauro Maturana às 00:14
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MAIS UMA DOS PARALAMAS

LANTERNA DOS AFOGADOS

Herbert Vianna: "Certa vez, saí com uma namorada para jantar. Sentei na moto, ela começou a conversar mas pedi que não falasse mais nada porque estava vindo a melodia e a letra na cabeça. Quando chegamos ao restaurante, em Ipanema, o garçom logo veio para anotar o pedido. "Papel e caneta, rápido, por favor foi o que pedi", lembra o compositor. Naqueles dez minutos de moto entre a minha casa e o restaurante, a letra apareceu inteira", conta Herbert. A música emplacou. Era "Lanterna dos Afogados".

Texto: Revista Vinho Magazine

Taí a letra: Lanterna Dos Afogados
( Herbert Vianna )

Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu tô na Lanterna dos Afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar
Eu tô na Lanterna dos Afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar



Lendo essa história do Herbet Vianna, lembrei de mim na época que estava estudando no terceiro ano do ensino médio, na época segundo grau (1991). Morava em São Gonçalo e estudava em Niterói. Portanto, passava quase uma hora no ônibus. Como sempre gostei de escrever coisas (eu tinha um grupo de rock com amigos e gostava de compor as músicas), foi no ônibus que "surgiu" uma das músicas. Foi assim, uma espécie de pipi-poesia, daqueles que não se pode controlar. Fiquei decorando os versos enquanto o ônibus não chegava. Quem sabe um dia tomo coragem e coloco algumas das minhas por aqui...



Categoria: Música
Escrito por Mauro Maturana às 17:18
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O QUE TEM ROLADO NOS EMAILS

Nomes e Profissões

Recebi isso por email de pessoas diferentes, e já tinha visto algo parecido no programa do Jô Soares. Aliás, a maior parte dos comentários dele no programa são oriundos de emails, não é verdade?
Lá vai:

De acordo com seu nome…

Ana Lisa - Psicanalista
P. Lúcia - Fabricante de Bichinhos
Pinto Souto - Fabricante de Cuecas
Marcos Dias - Fabricante de Calendário
Olavo Pires - Balconista de Lanchonete
Décio Machado - Guarda Florestal
H. Lopes - Professor de Hipismo
Oscar Romeu - Dono de Concessionária
Hélvio Lino - Professor de Música
K. Godói - Médico especialista em hemorróidas
Alberta Alceu Pinto - Garota de Programa
H. Romeu Pinto - Garoto de Programa
Eudes Penteado - Cabeleireiro
Sara Vaz - Mãe de Santo
Passos Dias Aguiar - Instrutor de Auto-escola
Sara Dores da Costa - Reumatologista
Jamil Jonas Costa - Urologista
Iná Lemos - Pneumologista
Ester Elisa - Enfermeira
Ema Thomas - Traumatologista
Malta Aquino Pinto - Médico especialista em doenças venéreas
Inácio Filho - Obstetra
Oscar A. Melo - Confeiteiro
Jacinto Pinto Aquino Rego - Gaúcho



Categoria: O Que Tem Rolado nos E-mails
Escrito por Mauro Maturana às 18:08
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VINIL A LASER

Saiu na VEJA!
E não é que aqueles seres humanos de olhinhos puxados mas de grande visão inventaram mais uma das suas?
Fizeram agora o toca-discos de vinil a laser, ou seja, quem nunca teve coragem de se desfazer dos bolachudos discos do passado, como eu, agora podem ficar eufóricos, pois vão poder escutá-los novamente. Não exatamente agora, porque o preço desta preciosidade não chega ao Brasil ao alcance de bolsos murchos como os meus...
E parece que o aparelhinho toca perfeitamente, sem chiado nem nada, até aqueles discos com os famosos arranhões.
É esperar pra ver!
Ou melhor, pra ouvir...

Escrito por Mauro Maturana às 16:32
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NO CALOR DA HORA


Como o 11 de setembro marcou de alguma maneira a vida de um montão de gente, resolvi relatar aqui o que acabou acontecendo comigo no restante desse ano (2001).
Professor em início de carreira, eu e alguns amigos de turma resolvemos montar um minicurso (3 meses) sobre a história do mundo árabe para os alunos do pré-vestibular que é mantido lá na UERJ. Eu fiquei responsável por duas aulas: a aula inaugural, sobre a formação do islamismo, e a aula de encerramento, sobre o atentado às torres gêmeas. O curso foi totalmente ministrado por formandos da Faculdade de Formação de Professores da Uerj, e as duas aulas mais importantes ficaram comigo porque (se não me falha a memória) eu era o único que já trabalhava como professor.
Tirando o fato de que o Oriente Médio era um assunto até então pouco explorado na grade curricular do curso de história, falar sobre Arábia Saudita, Maomé a formação do islamismo nem é tão difícil assim, basta meter a cara nos livros e estudar. Mas quando o assunto é preparar aula sobre algo tão recente, como o 11/09, a coisa muda de figura. Falar em História do Tempo Presente hoje em dia até que está na moda, mas é sempre muito complicado, principalmente para um professor inexperiente.
No final das contas, até que tudo saiu direitinho e todos gostaram das aulas – inclusive eu, que além de tudo, aprendi muito.






Eu e meus pimpolhos da 6a série do Colégio Mercês, em foto tirada em 2004.

Escrito por Mauro Maturana às 13:37
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História da Imprensa Brasileira




História da Imprensa Brasileira



Data de 10 de setembro de 1808 o primeiro jornal publicado no Brasil, apesar de não ser o primeiro jornal brasileiro.
A saber: Nesta data era publicado na capital brasileira a Gazeta do Rio de Janeiro. Sua publicação só foi possível graças à peculiar situação da corte portuguesa instalada em solos tropicais e pelo fato de ser um jornal oficial, dedicado aos comunicados de governo e aos louvores à família real. Na realidade, o Brasil já tinha um jornal desde junho do mesmo ano, que na verdade era publicado em Londres. Tratava-se do Correio Braziliense, editado pelo brasileiro exilado Hipólito da Costa, incansável batalhador da racionalidade administrativa e da liberdade de comércio, o que certamente explica o fato de não poder ser publicado por aqui.






Escrito por Mauro Maturana às 21:05
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NUNCA ZOMBE DE UM HOMEM APAIXONADO



Tudo bem, a história que a gente aprende (ou ensina) é quase sempre uma história dos vencedores. Podemos dizer até mesmo que existe a história do provável, ou seja, provavelmente foi desta forma, quem sabe? De qualquer maneira, faz parte do ofício do historiador escarafunchar em papéis empoeirados e encontrar vestígios do passado que o tornam certas vezes verdades inquestionáveis. O romance entre o Imperador D. Pedro I e a Domitila de Castro, conhecida como Marquesa de Santos, é uma delas.
Parece que houve por parte dele uma compreensível preocupação em destruir as correspondências amorosas que trocavam, fato que certamente ele fez, mas que sua amante não. Estão todas aí, para quem quiser ver. A Biblioteca Nacional guarda em seu acervo um material no mínimo inusitado: chumaços dos pelos pubianos do nosso Imperador. Eram as lembrancinhas que o jovem d. Pedro I enviava na citada correspondência. Nela, escreveu o imperador apaixonado:
"Meu bem, forte gosto foi o de ontem à noite que nós tivemos. Ainda me parece que estou na obra. Que prazer! Que consolação!! Que alegria foi a nossa!!!".
E para finalizar com chave de ouro, assinava-se "o fogo foguinho".
Viu como o amor é lindo? É mesmo de verter lágrimas... de rir!!!



Categoria: História
Escrito por Mauro Maturana às 00:29
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ALAGADOS


Os Paralamas do Sucesso, um dos grupos dos anos 80 que eu mais admiro, se lançaram no mercado fonográfico em 1983 com o LP "Cinema Mudo". Mas foi só no terceiro disco ("Selvagem", de 1986) que eles começaram a agregar novos ritmos e temáticas à até então preponderante influência do grupo inglês THE POLICE que se mostrava presente nos dois discos anteriores. A 'música de trabalho' deste terceiro disco foi ALAGADOS, composição de Herbert Vianna que misturava Rock com MPB (pois é, Los Hermanos não foram tão originais assim) e tratava de problemas sociais, como pode sugerir o título da música - "Alagados" é o nome de uma favela de Salvador, Bahia.

Taí a letra da música:

ALAGADOS

Todo dia
O sol da manhã vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo quem já não queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia

E a cidade
Que tem braços abertos num cartão-postal
Com os punhos fechados na vida real
Lhes nega oportunidades
Mostra a face dura do mal

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
A esperança não vem do mar
Nem das antenas de tevê
A arte de viver da fé
Só não se sabe fé em quê



Categoria: Música
Escrito por Mauro Maturana às 20:16
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MEU PRIMEIRO COMPUTADOR

Ano: 1984
Aparelho: TK-85
Local da compra: SANDIZ



Bom, este foi o início do meu relacionamento com computadores. Para quem não conheceu, o tk-85 era nada mais nada menos do que um teclado que se plugava na televisão. A memória e tudo o mais era tão ridículo que cabia dentro daquele tecladinho. Ainda não existia o sistema operacional Windows ou algo parecido que tanto nos são úteis hoje em dia. Eu tinha que me virar na linguagem dele: Basic.
Na verdade, o computador não servia pra muita coisa, já que o usuário tinha necessariamente que ser também um programador.
Era a época também das grandes lojas de departamentos, como a Mesbla e a Sandiz. Esta última ficava em NIterói e a sua estrutura serviu de base para a construção do shopping Bay Market, ao lado do Terminal rodoviário de Niterói, só que na época que ele não existia ainda.

Detalhe: a minha televisão era igualzinha à do comercial.

Atenção especial para o valor em moeda da época, na nota fiscal abaixo:


Escrito por Mauro Maturana às 16:55
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