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Um pequeno histórico musical
Verão de 1984/1985. Tinha acabado de me mudar de São Gonçalo para Niterói. Ingá. Pertinho da praia, que naquela época não era tão poluída. Tinha tudo pra virar um playboyzinho de Icaraí. Um surfista da hora. Filme: Menino do Rio. Programa de televisão: Armação Ilimitada. Juba e Lula pegando onda o tempo todo. 
É. Eu iria mesmo virar playboy. Tinha que ser. Comprar camisa da Cantão, carteira da Giló. Acontece que neste verão conheci um conjunto de um cantor que diziam que imitava o Jerry Adriani. Voz grave e cara de mau, mas franzino e de óculos. E uma incrível capacidade de transpor para as suas músicas os sonhos e angústias da sua geração: a "geração coca-cola".
“Ah, bondade sua me explicar com tanta determinação exatamente o que sinto, como penso e como sou - eu realmente não sabia que eu pensava assim" (Mais do Mesmo/1987)
Como pode alguém marcar tão profundamente a vida de toda uma geração? Como pode alguém determinar dessa maneira todos os nossos gostos e atitudes para o resto da vida? A propósito: tomei ojeriza de playboy e me tornei simpatizante do movimento punk. Freqüentei shows do The Cure (Maracanazinho/1986), Legião Urbana (Maracanazinho/87), Titãs (mais ou menos na época de Cabeça Dinossauro/1989), Replicantes/DeFalla/Nenhum de Nós (Circo Voador/1988) e a partir de então freqüentador quase compulsivo do lendária casa da Lapa.
Na foto de cima. os dois maiores ícones dessa geração batendo um papinho: Renato Russo e Cazuza. Na foto da direita. imagem clássica do The Cure. E ao lado a histórica capa do LP dos Titãs.
Escrito por Mauro Maturana às 11:46
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O que está rolando nos emails

"O problema da separação da Cidade do Rio de Janeiro e do Estado do Rio é saber: quem vai ficar com o Garotinho nos fins de semana?"
Escrito por Mauro Maturana às 12:51
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"Já lhe dei meu corpo, minha alegria Já estanquei meu sangue quando fervia Olha a voz que me resta Olha a veia que salta Olha a gota que falta pro desfecho da festa Por favor Deixe em paz meu coração Que ele é um pote até aqui de mágoa E qualquer desatenção, faça não Pode ser a gota dágua "

Autor: Chico Buarque
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Quando: 1975, para a Peça Gota D'água, de Chico Buarque e Paulo Fontes, que transportaram a tragédia grega de Medéia (de Eurípedes) para um subúrbio do Rio, dando-lhe o nome de "Gota d'Água". Medéia, que mata os filhos e se suicida ao ser desprezada pelo amante, é na tragédia carioca Joana, companheira de Jasão, um sambista que a abandona por uma mulher rica. Embutido na recriação do drama havia o propósito dos autores de criticar e questionar as implicações sócio-políticas da ditadura militar brasileira. Toda escrita em versos, numa linguagem coloquial, "Gota d'Água" apresentava uma dúzia de composições das quais a mais importante era a canção homônima, em que a protagonista, interpretada por Bibi Ferreira, advertia o amante: "Deixa em paz meu coração / que ele é um pote / até aqui de mágoa / e qualquer desatenção / faça não / pode ser a gota d'água". Contemplada com o Prêmio Molière - que Chico recusou-se a receber, em razão de estarem os concorrentes com suas peças presas na censura - "Gota d'Água" esteve em cartaz em dois teatros cariocas, sendo uma das temporadas a preços populares.
Categoria: Citação
Escrito por Mauro Maturana às 20:46
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Estamos prejudicando nossos melhores alunos?
SAIU ONTEM NA FOLHA DE SÃO PAULO:

O objetivo era comparar o desempenho de alunos de escolas públicas e de escolas particulares na universidade. Foram, então, analisados os registros acadêmicos de jovens da mesma idade que tiraram as mesmas notas no vestibular, começaram a estudar no mesmo ano e entraram no mesmo curso da Unicamp. A pesquisa surgiu quando a direção da Unicamp discutia mecanismos para democratizar o vestibular e queria conhecer melhor os estudantes que tinham vindo de escolas públicas. Os pesquisadores se surpreenderam com a comparação. A conclusão contraria o senso comum: os estudantes de escolas públicas se saíram melhor. Isso apesar de serem comparados com colegas mais ricos, egressos de colégios particulares. Resultado semelhante foi divulgado, na terça-feira passada, pela Universidade Estadual do Rio do Janeiro, onde se criou um sistema de cotas para alunos mais pobres. Os chamados "cotistas", por muitos acusados de só passar no vestibular por favor e de ter qualificação insuficiente (o que acabaria fazendo baixar o nível acadêmico), apresentaram rendimento ligeiramente superior ao dos demais universitários matriculados nos mesmos cursos. As razões dessa vantagem apresentada por quem saiu de uma desvantagem já é motivo de interesse de pesquisadores da Unicamp das mais diferentes especialidades -o que certamente vai render teses de doutorado. Vão surgir as mais diversas interpretações para esse fato. Uma delas foi exposta durante debate, realizado na Folha, sobre ensino superior e inclusão, pelo reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, para quem existem sinais inequívocos de que os estudantes de escolas públicas, lutando contra todas as dificuldades, desenvolveram uma garra especial. É o que explica, por exemplo, por que os imigrantes e migrantes conseguem prosperar. Tais informações agregam mais uma questão na seleção para ingresso nos melhores cursos. Trata-se não apenas de uma questão moral -ou seja, de desigualdade de oportunidades- mas também de desperdício de recursos humanos. Se for verdade que alunos de escolas públicas, sobreviventes da peneira educacional, são mais esforçados, aproveitam melhor uma oportunidade, recuperam as defasagens e se destacam, o país está deixando de fora sua melhor fatia de capital humano, condenando-a a faculdades privadas de péssima qualidade. O vestibular, portanto, está selecionando, muitas vezes, não os melhores alunos para o ensino superior, mas aqueles habilitados a fazer melhor testes episódicos. Temos hoje quase 10 milhões de alunos no ensino médio, a imensa maioria deles em instituições oficiais, o que dá a medida do desperdício.
Escrito por Mauro Maturana às 19:42
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Sessão Quadrinhos Engraçadinhos
Sobre Sexo e Violência:

Escrito por Mauro Maturana às 19:23
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