"Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota dágua "

Autor: Chico Buarque

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Quando: 1975, para a Peça Gota D'água, de Chico Buarque e Paulo Fontes, que transportaram a tragédia grega de Medéia (de Eurípedes) para um subúrbio do Rio, dando-lhe o nome de "Gota d'Água". Medéia, que mata os filhos e se suicida ao ser desprezada pelo amante, é na tragédia carioca Joana, companheira de Jasão, um sambista que a abandona por uma mulher rica. Embutido na recriação do drama havia o propósito dos autores de criticar e questionar as implicações sócio-políticas da ditadura militar brasileira. Toda escrita em versos, numa linguagem coloquial, "Gota d'Água" apresentava uma dúzia de composições das quais a mais importante era a canção homônima, em que a protagonista, interpretada por Bibi Ferreira, advertia o amante: "Deixa em paz meu coração / que ele é um pote / até aqui de mágoa / e qualquer desatenção / faça não / pode ser a gota d'água". Contemplada com o Prêmio Molière - que Chico recusou-se a receber, em razão de estarem os concorrentes com suas peças presas na censura - "Gota d'Água" esteve em cartaz em dois teatros cariocas, sendo uma das temporadas a preços populares.