Verissimo entrevistado por Ancelmo Gois (página 19 do Globo de 06 de outubro)
O Roy Rogers da crônica
Não é de hoje que excedem na internet falsos textos de Luis Fernando Verissimo. Pois agora o Partido da Bala espalha um em que o mestre defenderia o "não" no referendo do desarmamento, dia 23. Sobre isso, a turma da coluna trocou ontem dois dedos de prosa com Verissimo. Confira.
— O texto é seu?
— O texto na internet não é meu.
— Dia 23, você vai votar "sim" ou "não"? Por quê?
— Vou votar "sim" porque quanto menos armas disponíveis no país para serem compradas ou roubadas, menos crimes e acidentes com armas acontecerão. Isto me parece lógico, embora a lógica nem sempre seja credencial no Brasil. E a criminalização do simples porte de arma será um recurso a mais para pegar bandido e prevenir o crime. Pelo menos teoricamente.
— A turma do "não" diz que o Rio Grande do Sul é o estado mais armado do país e um dos que têm menor índice de violência. Você, que é gaúcho, concorda com esta tese?
— Não sei se a segunda parte da tese é correta. Mas se há mesmo menos crimes no Rio Grande do Sul, certamente isto não se deve à capacidade ou disposição da população de reagir a bala a criminosos. Haverá, sim, um problema econômico e social, o desemprego na forte indústria de armas no estado, que precisará ser atendido.
— Você tem arma em casa ou já teve? Já atirou alguma vez? Em que situação?
— Já tive um revólver igual ao do Roy Rogers com o qual matei muitos índios. Mas eram todos imaginários, além de americanos.
Escrito por Mauro Maturana às 20:09
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