Algumas Palavras Sobre Mim
Nascido em fevereiro de 1974, vivi a adolescência em fins da década de 80, e a explosão do rock brasileiro naquele período me despertou um intenso gosto pela música. A vida continua, nossos gostos e valores se transformam com o rolar do tempo, mas uma etapa tão importante de nossas vidas não passa assim impunemente. A vida adulta se mostrou então um tanto nostálgica, em princípio especialmente por essa década perdida no tempo, embora logo se mostrasse abrangente ao passado de uma maneira mais genérica. A escolha pela profissão de historiador/professor de história provavelmente foi movida por essa espécie de melancolia das lembranças da adolescência.
Comecei a usar óculos em 1985, e conseqüentemente a ser chamado de intelectual, ou "nerd" pelos colegas de classe. Estigmas que decididamente não se enquadravam na minha personalidade. Talvez por isso mesmo fui me mostrando um nerd diferente. Apesar de muito tímido, comecei a tocar violão neste mesmo ano, o que facilitava o meu trânsito na turma e em especial entre as meninas, universo que parecia intransponível para um "quatro-olhos" extremamente introvertido, como eu. Aos pedidos femininos de Every Breath Take, do grupo inglês The Police, eu dava seqüência com "óculos", dos Paralamas do Sucesso, que era meu hino perante o mundo dos olhos sãos: "eu não nasci de óculos / eu não era assim".
Mas foi somente em 1989 que eu, ao lado de colegas do colégio, resolvi montar uma banda, e comprei meu primeiro contrabaixo. Ao lado das músicas que mais gostávamos do rock nacional, começamos a compor nossas próprias canções, quando comecei a exercitar minha criatividade em letras e melodias. Aliás, foi quando comecei a tomar gosto pelo mundo das letras, que me seria tão importante na vida profissional. Depois desse primeiro conjunto, participei de outros, tendo me apresentado ao vivo em vários locais de Niterói e São Gonçalo, como o Nó na Madeira, em Piratininga. Começando com conjunto de rock/pop, passando por um de covers dos Beatles, até grupo de MPB.
Até hoje não abandonei a "curtição" de tocar em conjuntos musicais, e jamais passou pela minha cabeça me desfazer do meu baixo. Aliás, meus dois baixos. Atualmente tenho um elétrico e outro semi-acústico. Nos momentos em qu e me encontro estressado ou triste, o violão se mostra sempre um bom ombro amigo, me fazendo voltar a ser uma companhia suportável. Parafraseando, enfim, Caetano Veloso: "como é bom poder tocar um instrumento". Sábias palavras. Capacidade singular que só os poetas possuem de traduzir para o limitado mundo das palavras a imensidão dos sentimentos.
Escrito por Mauro Maturana às 11:40
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